Arquivo de CategoriasGraça de Deus
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 31 Jan 2008
Gente nova, mundo novo.
“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus”. Mc 1.16-20
Jesus chama homens de seus ofícios para serem pescadores de homens.
Eles eram pescadores por profissão, sabiam tudo sobre o seu ofício: reconhecer quando era tempo bom para a pesca; localizar cardumes segundo espécies; enfim, nada havia de secreto no mar e no caminho dos peixes para eles.
Jesus os chama para fazer o mesmo em relação aos seres humanos: conhecê-los como conheciam aos peixes e ao seu “habitat”.
Agora eles vão pescar pessoas, e há que conhecê-las e às suas circunstâncias, para tanto.
Então, Jesus, antes de tudo, chama pessoas, para serem seus alunos, com objetivo de os apresentar a seres humanos, de ensinar-lhes sobre a sua espécie, para que a compreendam e, portanto, se compreendam em suas circunstâncias, para que possam entender a beleza e a tragédia humana.
E essa é a missão: trazer as pessoas desta angústia para a possibilidade da beleza plena, como indivíduos e como sociedade.
Jesus os chama para serem solidários, para se reconhecerem no próximo e por ele se responsabilizarem - para se verem como parte da grande comunidade humana.
Nesse chamado não há etnocentrismo – pescadores de homens – de todos os membros da única raça que existe: a raça humana.
Os alunos de Jesus serão capazes de reconhecer os seus semelhantes em sua dor, em seu sofrimento, em suas circunstâncias.
Os alunos de Jesus, pela graça, pescarão pessoas da situação em que se encontram para que sejam tornados protagonistas da própria história, e agentes de mudança das circunstâncias que geraram, ou em que foram aprisionados.
Sem novo ser humano não há mundo novo. Os que se esqueceram disso levaram uma surra da história.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 09 Jan 2008
A Revolução permanente de Deus
O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho. Mc 1.15
Depois da prisão de seu primo, Jesus, de dentro dos domínios de Herodes, o algoz de João, retoma a mesma mensagem. Começava o confronto!
Na voz de João, o Reino ainda era o triunfo de Israel sobre os seus adversários capitaneado pelo Messias que ele anunciava.
Na voz de Jesus, o Reino era o triunfo de Deus sobre o rebelde e sobre toda a rebelião, o resgate da humanidade, o início de uma revolução permanente e a transformação do planeta.
No coração da província de Israel, que mais queria agradar aos romanos, graças aos interesses de seu rei suserano (ver: Não se pode permitir que Deus seja calado), Jesus anuncia a chegada de um novo reino.
O Reino de Deus é uma nova realidade onde só a vontade de Deus será feita, onde, portanto, haverá o triunfo da justiça.
Deus dá, então, uma oportunidade de mudança (arrependimento) para todos: indivíduos, nações e governos. A oportunidade de concordarem com Deus de que é preciso que haja revolução na vida pessoal, na nação, nas políticas e nos governos – para que só a vontade de Deus seja feita.
Deus perdoa o passado, mas quer um novo presente, com vistas a outro futuro. E Ele mesmo concede o poder para que isso ocorra.
Deus existe, logo, tem um jeito certo de viver como pessoa e como nação.
E a boa notícia (significado da palavra evangelho) é essa: a revolução vai acontecer. O melhor que cada um tem a fazer é engajar-se nela o mais rápido possível
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 26 Dez 2007
Não se pode permitir que Deus seja calado
Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus. Mc 1.14
Depois de enfrentar a forças espirituais da maldade, Jesus começou a enfrentar os agentes humanos da maldade.
João fora preso por Herodes, representante do Império Romano, aliás, segundo John Dominic Crossan, em palestra no encontro Theologando, realizado em São Paulo, SP, no auditório Rebouças, no final de 2007, a assassino de João Batista estava tentando cair nas graças de Tibério Cesar, Imperador de Roma, com o fim de ser o único Rei de Israel, daí transformou o piscoso mar da Galiléia numa das maiores fontes de escorchante imposto, para tentar atrair, para si, a atenção de Roma – o que foi em vão. Enfrentado por João, seja por sua mensagem anunciando o juízo de Deus contra os opressores, seja por afrontá-lo por causa de seu pecado acintoso contra a Lei de Deus e a moral de Israel, manda prendê-lo e, mais tarde, o assassina.
Jesus, como quem percebe a mudança de clima, e a formação de um ambiente perigoso para qualquer movimento de resistência e de protesto, muda para a Galiléia.
Da Galiléia dos gentios, Jesus continua a pregar como João, tornando o profeta numa voz que não pode ser calada.
A voz daquele que clama no deserto não poderia ser calada por um ato de violência. Deus continuaria falando!
A estratégia de Jesus lhe permite, nas barbas de Herodes, continuar o que este estava tentando calar.
Jesus usou a autoridade da palavra para vencer o tentador e, agora, usava a estratégia para se contrapor aos agentes humanos da mesma maldade, soube discernir suas naturezas e, portanto, a forma de atacar cada uma.
Deus tem de continuar falando até que toda a ação da maldade seja denunciada e derrotada; e, para isso, é preciso saber o que se está enfrentando e como enfrentá-lo.
Lutar contra o mal é provocar revolução em dois ambientes; é discernir as duas realidades e ser efetivo em ambas.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 17 Dez 2007
A Resistência
E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam. Mc 1.12,13
40 dias de chuvas no processo do dilúvio.
40 dias para receber a Lei.
40 anos para atravessar o deserto.
40 dias para enfrentar o maligno.
São ciclos que precisaram ser cumpridos.
Todo o enfrentamento do mal é como uma epopéia. É construção de uma nova história. É revolução. Exige determinação, firmeza de propósitos e perseverança, e não pode ser feito sem a ajuda de Deus. Sem o serviço dos anjos.
É uma luta contra a possibilidade de ser corrompido. É uma luta contra a possibilidade de corromper. É uma luta contra a possibilidade de ser conivente com a corrupção. É uma luta de resistência. E, também, uma luta para acabar com a corrupção.
Um sistema que produz exclusão é fruto da corrupção do princípio da igualdade entre os seres humanos: do direito humano à dignidade.
A corrupção implanta e sustenta a injustiça.
Ao vencer todas as possibilidades de participar de qualquer forma de corrupção, a gente deixa o mal sem espaço.
Lutar pela mudança da sociedade é lutar para que a maldade não encontre mais nenhum espaço entre as pessoas, e nas pessoas
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 07 Dez 2007
Tomemos a iniciativa
E logo o Espírito o impeliu para o deserto… Mc 1.12ª
Foi o Espírito Santo quem o levou ao confronto com o mal.
Antes que o malígno desafiasse Jesus, o Espírito Santo o levou a desafiar o adversário.
A gente ora para que o Senhor nos livre do mal. E está correto. Foi Jesus quem ensinou-nos a orar assim, na chamada oração do Pai Nosso.
Mas, livrar-nos do mal não significa livrar-nos do confronto com o mal e, sim, livrar-nos de que o mal tenha algum espaço em nós.
Quando Jesus disse: “Vem aí o príncipe deste mundo e ele nada tem em mim” (Jo 14.30), era isso o que ele estava dizendo: que nêle o adversário não encontrava nenhum espaço para fomentar a sua rebelião.
Deus nos dá força para realizar o maior de todos os milagres, enfrentar os agentes do mal.
Como disse G. K. Chesterton (escritor e ensaísta inglês – 1874 – 1936): “O problema da humanidade não é explicar o mal, é explicar o bem.”
Esse é o grande milagre: em meio a tanta maldade, se manifesta o bem.
Como, por que o mal não tomou conta de tudo, uma vez que o mal nada respeita?
Por isso, nosso maior trunfo é a possibilidade de enfrentar os agentes da maldade e a maldade alojada em nós.
Deus fez o melhor por nós, quando, ao invés de nos livrar do confronto com o mal (o que só o poderia fazer se desconsiderasse nosso livre-arbítrio), nos deu força para enfrentá-lo. De tal modo que, o Espírito, ao contrário de nos municiar para enfrentar o adversário, quando do seu ataque, nos impele a tomar a iniciativa do ataque e do desafio.
O mal não é todo-poderoso, o Senhor Jesus o é. E, em Cristo, podemos desafiar o mal e fazê-lo retroceder. Inclusive e, principalmente, na sociedade.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 01 Dez 2007
É Preciso
E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam. Mc 1.12,13
Não há como ser agente de transformação sem enfrentar a realidade do mal.
O mal está em nós, mas, também, fora de nós. E precisa ser enfrentado.
Enfrenta-se o mal resistindo-o.
A maldade em nós, e os seres malignos, fora de nós, tentam atrair-nos ao egoísmo, ao individualismo.
Cair na tentação é inviabilizar a vida comunitária, porque a gente tende a pensar-se como o centro do universo e, mais, a achar que é o único sujeito de direito.
Foi a cessão ao mal que levou à construção desse sistema excludente, gerador de despossuídos.
Jesus enfrentou o maligno no deserto e o venceu, resistindo-o. Jesus o enfrentou na cruz e o derrotou, daí a ressurreição.
Temos de decididamente enfrentar o mal. Graças a Cristo, é possível derrotar o mal na história.
Derrotar o mal em nós é resisti-lo pelo poder da cruz, entregando ao Espírito Santo o controle da vida para que Ele nos transforme em gente como gente deve ser: gente como Jesus de Nazaré.
Derrotar o mal na sociedade é levá-la a pautar seus relacionamentos políticos e econômicos ao modelo, que a torne o mais parecida possível com o Reino de Deus: onde a justiça corra como um ribeiro perene.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 28 Nov 2007
É para interferir na história.
Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Mc 1.11
Esse é o filho que alegra ao Pai.
É o filho que se prontifica a, submisso ao Pai, por amor, levar a cabo a vontade deste.
Quando o Pai diz sobre o filho, que este lhe dá alegria, estava falando de Jesus de Nazaré, mas, também, de todos os que, em Jesus de Nazaré, e a partir deste, se submeteriam ao batismo, a partir de seu significado, para serem tornados agentes de transformação da realidade e de sinalização do Reino de Deus presente nestes e entre estes.
A nova humanidade que surge em Cristo é este filho.
É a humanidade nova no seu relacionamento com o Pai, com o próximo, com a criação e com a história.
É a humanidade com uma missão: cooperar com a implantação do Reino pela sinalização, através da pregação e das boas obras, assim, apressando a volta de Cristo, o que implantará o Reino final e definitivamente.
Cada membro dessa nova humanidade tem de, conscientemente, se engajar nessa dinâmica de transformação da história, preparando-a para a volta de Cristo, de modo que Jesus, em sua volta, não só encontre o filho que agrada ao Pai, como encontre uma realidade mais próxima da vontade do Pai.
O filho que agrada o Pai interfere na história, corrigindo-a à luz do Reino de Deus.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 21 Nov 2007
Prontos
Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Mc 1.10
Rasgar é um ato de violência.
Passa a impressão de alguém ávido por sair daquilo que o aprisionava, e, que, na oportunidade que tem, escapa rasgando o que lhe o impedia.
E o que impediria ao Espírito Santo de pousar sobre a humanidade para libertá-la e para capacitá-la para ser o que foi criada para ser?
A insubmissão humana.
Jesus, quando, em nome da humanidade, submete-se, através do batismo oficiado por João, tira o impedimento que “aprisionava” nos céus o Santo Espírito.
Assim como, após o batismo, Jesus estava pronto, pela unção do Espírito Santo, para deflagar a libertaç ão da humanidade, nós, sob a unção de Jesus, estamos prontos para ser agentes de nossa libertação em todas as dimensões, para levar a palavra e a prática da libertação a todos os nossos semelhantes e à toda a criação.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 13 Nov 2007
A inclusão que foi, mas que já era.
“Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão.” Mc 1.9
Jesus começou como todos os outros, assumindo publicamente seu compromisso com Deus e a sua vontade.
submeteu-se ao batismo.
ele não o necessitava porque sempre estivera submisso ao Pai, mas foi dar o testemunho público disso.
ele não estava lá representando-se, mas representava a nova humanidade, pois, uma vez que era o segundo Adão, ele foi publicizar o que o primeiro Adão não conseguiu: que estava submisso ao Pai.
quando ele foi batizado, a partir de sua própria iniciativa, de ir posicionar-se em estado de submissão ao Pai, todos aqueles que nele foram incluídos, gente que só se entende a partir da humanidade nova, a que é fruto da inclusão em Cristo, foram batizados com ele, porque nele estavam.
estavam nele desde a eternidade, porque tudo o que se fez e que se fará foi feito na eternidade, mas foram incluídos na história, porque, na história não nasceram nele, nasceram no primeiro Adão, no entanto, o segundo Adão veio para que o eterno, num movimento quântico, rearranjasse a história, sustentando o futuro e reescrevendo o passado, de modo que os que nasceram no primeiro Adão, nascessem no segundo Adão, como se o primeiro Adão não tivesse existido.
nascemos no segundo Adão, no qual fomos, depois, incluídos, para, mudando o presente construir um novo futuro, que a eternidade já sabe que, libertos, na liberdade de Cristo, construiremos.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 12 Nov 2007
O Espírito revolucionário
“Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.” Mc 1.8
João chamou os seus contemporâneos a acertar a vida com Deus, reassumindo o compromisso para com Ele.
Jesus trouxe o poder para que o compromisso assumido não seja mera formalidade.
o Espírito Santo é a pessoa que revoluciona a vida da gente, tornando-nos aptos a viver segundo o compromisso assumido com o Pai.
o Espírito Santo, assim, nos torna revolucionários, nos dando as condições necessárias para sermos agentes de mudança na sociedade em que vivemos.
como fomos mudados, trabalhamos pela mudança de tudo com o que nos relacionamos. E nos relacionamos com tudo.
aliás, isso faz parte do compromisso que assumimos com o Pai: sermos agentes de mudança.
mergulhados nessa pessoa que nos torna agentes do Reino de Deus, saíamos a enfrentar tudo o que se opõe à libertação do ser humano; que é o grande propósito do Reino.