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Arquivo de Dezembro de 2007



Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 26 Dez 2007

Não se pode permitir que Deus seja calado

Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus. Mc 1.14

Depois de enfrentar a forças espirituais da maldade, Jesus começou a enfrentar os agentes humanos da maldade.

João fora preso por Herodes, representante do Império Romano, aliás, segundo John Dominic Crossan, em palestra no encontro Theologando, realizado em São Paulo, SP, no auditório Rebouças, no final de 2007, a assassino de João Batista estava tentando cair nas graças de Tibério Cesar, Imperador de Roma, com o fim de ser o único Rei de Israel, daí transformou o piscoso mar da Galiléia numa das maiores fontes de escorchante imposto, para tentar atrair, para si, a atenção de Roma – o que foi em vão. Enfrentado por João, seja por sua mensagem anunciando o juízo de Deus contra os opressores, seja por afrontá-lo por causa de seu pecado acintoso contra a Lei de Deus e a moral de Israel, manda prendê-lo e, mais tarde, o assassina.

Jesus, como quem percebe a mudança de clima, e a formação de um ambiente perigoso para qualquer movimento de resistência e de protesto, muda para a Galiléia.

Da Galiléia dos gentios, Jesus continua a pregar como João, tornando o profeta numa voz que não pode ser calada.

A voz daquele que clama no deserto não poderia ser calada por um ato de violência. Deus continuaria falando!

A estratégia de Jesus lhe permite, nas barbas de Herodes, continuar o que este estava tentando calar.

Jesus usou a autoridade da palavra para vencer o tentador e, agora, usava a estratégia para se contrapor aos agentes humanos da mesma maldade, soube discernir suas naturezas e, portanto, a forma de atacar cada uma.

Deus tem de continuar falando até que toda a ação da maldade seja denunciada e derrotada; e, para isso, é preciso saber o que se está enfrentando e como enfrentá-lo.

Lutar contra o mal é provocar revolução em dois ambientes; é discernir as duas realidades e ser efetivo em ambas.

Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 17 Dez 2007

A Resistência

E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam. Mc 1.12,13

40 dias de chuvas no processo do dilúvio.

40 dias para receber a Lei.

40 anos para atravessar o deserto.

40 dias para enfrentar o maligno.

São ciclos que precisaram ser cumpridos.

Todo o enfrentamento do mal é como uma epopéia. É construção de uma nova história. É revolução. Exige determinação, firmeza de propósitos e perseverança, e não pode ser feito sem a ajuda de Deus. Sem o serviço dos anjos.

É uma luta contra a possibilidade de ser corrompido. É uma luta contra a possibilidade de corromper. É uma luta contra a possibilidade de ser conivente com a corrupção. É uma luta de resistência. E, também, uma luta para acabar com a corrupção.

Um sistema que produz exclusão é fruto da corrupção do princípio da igualdade entre os seres humanos: do direito humano à dignidade.

A corrupção implanta e sustenta a injustiça.

Ao vencer todas as possibilidades de participar de qualquer forma de corrupção, a gente deixa o mal sem espaço.

Lutar pela mudança da sociedade é lutar para que a maldade não encontre mais nenhum espaço entre as pessoas, e nas pessoas

Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 07 Dez 2007

Tomemos a iniciativa

E logo o Espírito o impeliu para o deserto… Mc 1.12ª

Foi o Espírito Santo quem o levou ao confronto com o mal.

Antes que o malígno desafiasse Jesus, o Espírito Santo o levou a desafiar o adversário.

A gente ora para que o Senhor nos livre do mal. E está correto. Foi Jesus quem ensinou-nos a orar assim, na chamada oração do Pai Nosso.

Mas, livrar-nos do mal não significa livrar-nos do confronto com o mal e, sim, livrar-nos de que o mal tenha algum espaço em nós.

Quando Jesus disse: “Vem aí o príncipe deste mundo e ele nada tem em mim” (Jo 14.30), era isso o que ele estava dizendo: que nêle o adversário não encontrava nenhum espaço para fomentar a sua rebelião.

Deus nos dá força para realizar o maior de todos os milagres, enfrentar os agentes do mal.

Como disse G. K. Chesterton (escritor e ensaísta inglês – 1874 – 1936): “O problema da humanidade não é explicar o mal, é explicar o bem.”

Esse é o grande milagre: em meio a tanta maldade, se manifesta o bem.

Como, por que o mal não tomou conta de tudo, uma vez que o mal nada respeita?

Por isso, nosso maior trunfo é a possibilidade de enfrentar os agentes da maldade e a maldade alojada em nós.

Deus fez o melhor por nós, quando, ao invés de nos livrar do confronto com o mal (o que só o poderia fazer se desconsiderasse nosso livre-arbítrio), nos deu força para enfrentá-lo. De tal modo que, o Espírito, ao contrário de nos municiar para enfrentar o adversário, quando do seu ataque, nos impele a tomar a iniciativa do ataque e do desafio.

O mal não é todo-poderoso, o Senhor Jesus o é. E, em Cristo, podemos desafiar o mal e fazê-lo retroceder. Inclusive e, principalmente, na sociedade.

Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 01 Dez 2007

É Preciso

E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam. Mc 1.12,13

Não há como ser agente de transformação sem enfrentar a realidade do mal.

O mal está em nós, mas, também, fora de nós. E precisa ser enfrentado.

Enfrenta-se o mal resistindo-o.

A maldade em nós, e os seres malignos, fora de nós, tentam atrair-nos ao egoísmo, ao individualismo.

Cair na tentação é inviabilizar a vida comunitária, porque a gente tende a pensar-se como o centro do universo e, mais, a achar que é o único sujeito de direito.

Foi a cessão ao mal que levou à construção desse sistema excludente, gerador de despossuídos.

Jesus enfrentou o maligno no deserto e o venceu, resistindo-o. Jesus o enfrentou na cruz e o derrotou, daí a ressurreição.

Temos de decididamente enfrentar o mal. Graças a Cristo, é possível derrotar o mal na história.

Derrotar o mal em nós é resisti-lo pelo poder da cruz, entregando ao Espírito Santo o controle da vida para que Ele nos transforme em gente como gente deve ser: gente como Jesus de Nazaré.

Derrotar o mal na sociedade é levá-la a pautar seus relacionamentos políticos e econômicos ao modelo, que a torne o mais parecida possível com o Reino de Deus: onde a justiça corra como um ribeiro perene.