Arquivo de Novembro de 2007
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 28 Nov 2007
É para interferir na história.
Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Mc 1.11
Esse é o filho que alegra ao Pai.
É o filho que se prontifica a, submisso ao Pai, por amor, levar a cabo a vontade deste.
Quando o Pai diz sobre o filho, que este lhe dá alegria, estava falando de Jesus de Nazaré, mas, também, de todos os que, em Jesus de Nazaré, e a partir deste, se submeteriam ao batismo, a partir de seu significado, para serem tornados agentes de transformação da realidade e de sinalização do Reino de Deus presente nestes e entre estes.
A nova humanidade que surge em Cristo é este filho.
É a humanidade nova no seu relacionamento com o Pai, com o próximo, com a criação e com a história.
É a humanidade com uma missão: cooperar com a implantação do Reino pela sinalização, através da pregação e das boas obras, assim, apressando a volta de Cristo, o que implantará o Reino final e definitivamente.
Cada membro dessa nova humanidade tem de, conscientemente, se engajar nessa dinâmica de transformação da história, preparando-a para a volta de Cristo, de modo que Jesus, em sua volta, não só encontre o filho que agrada ao Pai, como encontre uma realidade mais próxima da vontade do Pai.
O filho que agrada o Pai interfere na história, corrigindo-a à luz do Reino de Deus.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 21 Nov 2007
Prontos
Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Mc 1.10
Rasgar é um ato de violência.
Passa a impressão de alguém ávido por sair daquilo que o aprisionava, e, que, na oportunidade que tem, escapa rasgando o que lhe o impedia.
E o que impediria ao Espírito Santo de pousar sobre a humanidade para libertá-la e para capacitá-la para ser o que foi criada para ser?
A insubmissão humana.
Jesus, quando, em nome da humanidade, submete-se, através do batismo oficiado por João, tira o impedimento que “aprisionava” nos céus o Santo Espírito.
Assim como, após o batismo, Jesus estava pronto, pela unção do Espírito Santo, para deflagar a libertaç ão da humanidade, nós, sob a unção de Jesus, estamos prontos para ser agentes de nossa libertação em todas as dimensões, para levar a palavra e a prática da libertação a todos os nossos semelhantes e à toda a criação.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 13 Nov 2007
A inclusão que foi, mas que já era.
“Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão.” Mc 1.9
Jesus começou como todos os outros, assumindo publicamente seu compromisso com Deus e a sua vontade.
submeteu-se ao batismo.
ele não o necessitava porque sempre estivera submisso ao Pai, mas foi dar o testemunho público disso.
ele não estava lá representando-se, mas representava a nova humanidade, pois, uma vez que era o segundo Adão, ele foi publicizar o que o primeiro Adão não conseguiu: que estava submisso ao Pai.
quando ele foi batizado, a partir de sua própria iniciativa, de ir posicionar-se em estado de submissão ao Pai, todos aqueles que nele foram incluídos, gente que só se entende a partir da humanidade nova, a que é fruto da inclusão em Cristo, foram batizados com ele, porque nele estavam.
estavam nele desde a eternidade, porque tudo o que se fez e que se fará foi feito na eternidade, mas foram incluídos na história, porque, na história não nasceram nele, nasceram no primeiro Adão, no entanto, o segundo Adão veio para que o eterno, num movimento quântico, rearranjasse a história, sustentando o futuro e reescrevendo o passado, de modo que os que nasceram no primeiro Adão, nascessem no segundo Adão, como se o primeiro Adão não tivesse existido.
nascemos no segundo Adão, no qual fomos, depois, incluídos, para, mudando o presente construir um novo futuro, que a eternidade já sabe que, libertos, na liberdade de Cristo, construiremos.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 12 Nov 2007
O Espírito revolucionário
“Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.” Mc 1.8
João chamou os seus contemporâneos a acertar a vida com Deus, reassumindo o compromisso para com Ele.
Jesus trouxe o poder para que o compromisso assumido não seja mera formalidade.
o Espírito Santo é a pessoa que revoluciona a vida da gente, tornando-nos aptos a viver segundo o compromisso assumido com o Pai.
o Espírito Santo, assim, nos torna revolucionários, nos dando as condições necessárias para sermos agentes de mudança na sociedade em que vivemos.
como fomos mudados, trabalhamos pela mudança de tudo com o que nos relacionamos. E nos relacionamos com tudo.
aliás, isso faz parte do compromisso que assumimos com o Pai: sermos agentes de mudança.
mergulhados nessa pessoa que nos torna agentes do Reino de Deus, saíamos a enfrentar tudo o que se opõe à libertação do ser humano; que é o grande propósito do Reino.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 11 Nov 2007
Ele está entre nós.
“E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.” Mc 1.7
João veio para anunciar quem era o Messias, assim como preparar o povo para recebe-lo.
Jesus era o poderoso, aquele que faria realidade toda a palavra do profeta.
tudo o que anunciamos, anunciamos com Jesus. Com Jesus tudo, sem Jesus nada.
não estamos pregando a revolução pela revolução. Estamos anunciando o Reino do Poderoso Jesus, aquele que vem para transformar as pessoas e as coisas.
nossa revolução não é meramente política, é a mudança do ser, daí, seres humanos novos; é a mudança do se entender, daí, nova forma de encarar e viver a sociedade; é a mudança do fazer, daí, nova política, nova economia, nova relação com o meio-ambiente, novo modelo de desenvolvimento.
essa revolução só é possível com Jesus, porque é ele quem dá sentido a tudo, e só ele tem poder para a execução deste plano de retomada da história, pela sinalização do Reino de Deus que, enquanto altera a história, denuncia a chegada do fim da mesma com a irrupção do novo céu e da nova terra.
demonstremos que o poderoso já está entre nós, pela provocação de uma mudança na realidade, por meio de boas obras que só se expliquem por essa presença entre nós.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 08 Nov 2007
A denúncia como estilo de vida
“As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.” Mc 1.6
João vestia-se como o profeta Elias, cujo retorno ministerial representava, uma vez que João era cumprimento da profecia de que Elias viria antes, para converter o coração dos pais aos filhos (Lc1.17).
para além de vestir-se para representar o ministério de Elias, a roupa do Batista era, em si, uma denúncia à usurpação da função sacerdotal.
por ser o sumo-sacerdote, João só poderia vestir a roupas apropriadas à sua posição, mas como suas roupas estavam, indevidamente, sendo usadas por outro, e ele não poderia vestir roupas comuns, as vestes sacerdotais foram substituídas por roupas feitas de pêlos de camelo.
por ser o sumo-sacerdote, João só poderia comer das comidas apropriadas aos sacerdotes, mas a sua refeição sacerdotal estava sendo usurpada por outro, mas, apesar disso, ele não podia comer das comidas comuns, daí, gafanhotos e mel silvestre.
o profeta veio do deserto, onde provavelmente vivera, protegido pelas comunidades do deserto, até por ser quem era, e por aquele que estava no deserto clamou contra toda a usurpação da glória e da casa de Deus.
João nos ensina o caminho do avivamento: começa com a denúncia que obriga o arrependimento. João, antes de denunciar com a palavra, denunciava com o seu estilo de vida.
eis o caminho: andemos nele.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 06 Nov 2007
Sem acordo
“saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.” Mc 1.5
Anás tinha conspurcado o templo, negociando-o com os romanos.
ele foi o primeiro sumo-sacerdote dessa safra, depois, cada um de seus cinco filhos foram sumo-sacerdotes e, finalmente, o seu genro, Caifás – ele, porém, permanecia nos bastidores, puxando as cordinhas de seus títeres.
o sumo-sacerdote de Deus, João Batista, apareceu no deserto; a mensagem dele não permitia acordo: todos os envolvidos nessa impostura, os protagonistas e os omissos, o que incluía a todos os outros, só tinham uma saída, confessar os pecados e renovar, por meio do batismo, o seu pacto de obediência com Deus.
todos os que davam ouvidos a João não tinham escolha, tinham de romper com o templo e com o império.
estava pronto o caminho para o Cordeiro construir o templo vivo, agente do reino na solapação do sistema.
ouçamos João para viver Cristo: rompamos com o institucionalismo e com o império de mamon que, através do mercado impõe o seu culto.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 05 Nov 2007
A denúncia
“apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento e para remissão de pecados.” Mc 1. 4
João Batista era filho de Zacarias, o sacerdote (Lc 1.13),e Isabel, logo, era ou deveria ser sacerdote.
deveria ser mais, porque Isabel era da família de Arão (Lc 1.5).
para ser sumo sacerdote em Israel não bastava ser da tribo de Levi, tinha de ser da família de Arão.
como João Batista era filho de Zacarias, sacerdote, e de Isabel, da família de Arão, ele deveria ser o sumo sacerdote.
o sumo sacerdócio estava na mão dos romanos, que, por meio de Anás e de todos os que ele pôs no ofício, a serviço do império, tomaram o templo.
quando os romanos tomaram o templo, Deus foi para o deserto e levou o seu sumo sacerdote com ele.
façamos como João Batista, deixemo-nos levar pelo Senhor para o deserto, onde ele se encontra; deixemo-nos ser voz daquele que do deserto clama; recusemo-nos a participar dessa vergonha que expõe o nome de Cristo ao ridículo.
denunciemos que o império e o que deveria ser a igreja se uniram para espoliar o pobre.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 04 Nov 2007
Endireitando
“voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;” Mc 1.3
o Senhor parece não querer outro caminho.
insiste que seja através do povo para quem se manifestou.
só que eles construiram caminhos tortuosos…
Deus, então, levanta uma voz para endireitar os tais caminhos, não para criar outros.
e é por meio da palavra.
a Palavra criou o mundo.
essa Palavra, uma vez ouvida, endireita os caminhos.
não das instituições, essas não têm ouvidos.
mas, das pessoas, elas são os caminhos que precisam ser endireitados.
pessoas podem se deixar confundir com instituições e ideologias.
as quais se tornam óculos, por meio dos quais tudo e todos são enxergados.
a voz veio para que esses óculos sejam quebrados e pessoas só enxerguem pessoas.
Graça de Deus Ariovaldo Ramos em 03 Nov 2007
Preparando o caminho
“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;” Mc 1.3
o Cristo não poderia andar pelos caminhos que o Israel, de então, tinha preparado para apresentá-lo ao mundo.
era o caminho do conchavo com os romanos, com os donos do poder; o caminho da politicagem, e da busca de interesses particulares.
esses não eram caminhos direitos:
os zelotes escolheram a violência contra os invasores;
os fariseus escolheram a complacência com os dominadores;
os saduceus escolheram a cumplicidade com os opressores;
os publicanos escolheram o serviço aos tiranos;
e os essênios escolheram o caminho de fuga, esconderam-se nas cavernas.
esses não eram caminhos direitos, porque não eram caminhos de Deus.
o salvador não poderia apresentar-se por meio de nenhum desses caminhos.
o messias tem uma mensagem de reconciliação para todos, mas só anda pelo caminho de Deus.